Cuidado intensivo em saúde mental amplia alternativas terapêuticas

Modelos de cuidado intensivo intermediário surgem como alternativa terapêutica para pacientes com sofrimento psíquico moderado e grave

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Com o avanço dos casos de ansiedade, depressão e burnout no Brasil, especialistas em saúde mental têm defendido a ampliação de modelos terapêuticos intermediários, capazes de oferecer acompanhamento intensivo sem afastar completamente o paciente da convivência familiar e social.

Dados recentes apontam que os afastamentos do trabalho por transtornos mentais bateram recorde no país em 2024, enquanto Belo Horizonte aparece entre as capitais com maior prevalência de diagnóstico de depressão autorreferida, segundo o Vigitel, do Ministério da Saúde.

De acordo com o psiquiatra Dr. Glauco Araújo, muitos pacientes não conseguem manter estabilidade apenas com consultas periódicas, mas também não necessitam de internação psiquiátrica integral.

“O cuidado intensivo intermediário oferece acompanhamento multiprofissional, intervenções frequentes e suporte terapêutico sem romper totalmente os vínculos sociais e familiares”, explica o especialista.

O modelo, conhecido como hospital-dia, inclui atendimento psiquiátrico, psicológico, atividades em grupo, suporte ocupacional e participação familiar no processo terapêutico. Um dos exemplos é o Leviva, programa desenvolvido pela ViV Saúde Mental e Emocional para pacientes que precisam de acompanhamento diário sem indicação de internação completa.

Segundo o médico, o formato contribui para uma recuperação mais humanizada, preservando parte da rotina, autonomia e relações afetivas do paciente, fatores considerados importantes para a adesão ao tratamento.

A abordagem pode ser indicada para casos de depressão moderada a grave, transtornos de ansiedade incapacitantes, crises emocionais recorrentes, transtornos alimentares, dependência química e outros quadros psiquiátricos que exigem observação clínica mais próxima.

Especialistas também destacam o impacto positivo para familiares e cuidadores, que passam a receber acolhimento e orientação durante o tratamento. Para Dr. Glauco Araújo, ampliar o debate sobre modelos intermediários ajuda ainda a reduzir estigmas históricos ligados ao atendimento psiquiátrico.

“Muitas pessoas ainda associam o tratamento em saúde mental à ideia de isolamento. Mostrar que existem formatos terapêuticos mais flexíveis e centrados na reabilitação psicossocial é fundamental para ampliar o acesso ao cuidado”, conclui.

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