Um homem foi condenado a 36 anos e dois meses de prisão pelo assassinato da namorada e por abandonar o corpo da vítima às margens da BR-040, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O julgamento de Cristiano Jahel Leal ocorreu na última quinta-feira (5), no 1º Tribunal do Júri de Belo Horizonte.
O Conselho de Sentença considerou o réu culpado pelos crimes de feminicídio, ocultação de cadáver e direção sob efeito de bebida alcoólica. Ao proferir a sentença, o juiz Marco Antônio Silva determinou que a pena seja cumprida em regime fechado. Cristiano está preso desde 27 de dezembro de 2024, data em que o crime ocorreu.
Relacionamento marcado por violência
Durante o julgamento, sete testemunhas foram ouvidas e relataram que o relacionamento entre o casal era marcado por conflitos e episódios frequentes de violência física, psicológica e verbal.
Segundo os depoimentos apresentados ao júri, a vítima sofria agressões constantes, além de humilhações por parte do acusado. Testemunhas afirmaram ainda que o homem costumava destruir os celulares da companheira e se apropriar de seu dinheiro.
Também foram mencionados episódios graves de violência, incluindo coronhadas, mordidas, socos, tapas e abusos sexuais, além do uso de drogas por parte do réu. De acordo com os relatos, a vítima acabou passando a consumir álcool e entorpecentes durante o relacionamento, demonstrando um quadro de dependência emocional em relação ao acusado.
Versão da defesa
Em depoimento no julgamento, Cristiano Jahel Leal negou ter efetuado o disparo que matou a namorada. Segundo ele, a mulher teria sido atingida por uma bala perdida durante uma troca de tiros no Aglomerado da Ventosa, na região Oeste de Belo Horizonte, enquanto ambos estariam comprando drogas.
O réu afirmou que colocou a vítima no carro com a intenção de levá-la ao hospital, mas percebeu que ela já estava morta. Ainda conforme sua versão, por medo de represálias da família da mulher, decidiu abandonar o corpo na BR-040, no município de Esmeraldas, e fugir.
Ele também negou ter agredido a namorada anteriormente ou ter destruído os aparelhos celulares da vítima.
Dinâmica do crime
De acordo com a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), a vítima estava na casa da irmã, em Santa Luzia, quando fez uma chamada de vídeo para o acusado e, logo depois, solicitou um carro por aplicativo para ir até a residência dele, no bairro Santa Maria, em Belo Horizonte.
O feminicídio ocorreu dois dias depois, na manhã de 27 de dezembro de 2024.
Após o crime, o homem colocou o corpo da companheira dentro do carro e seguiu até o km 501 da BR-040, onde abandonou o corpo no acostamento da rodovia. Em seguida, ele fugiu do local.
Segundo a denúncia, o acusado ainda foi até a casa do irmão, também no bairro Santa Maria, onde trocou de veículo na tentativa de despistar as autoridades. O carro utilizado na fuga foi localizado posteriormente pela Polícia Militar na cidade de Governador Valadares.
No momento da abordagem, os policiais constataram que o homem apresentava sinais de embriaguez, como andar cambaleante e hálito etílico. O teste do etilômetro apontou 0,74 miligrama de álcool por litro de ar expelido pelos pulmões, valor acima do limite permitido por lei.
O processo está disponível pelo número 0000502-81.2025.8.13.0241.
Informações: TJMG