O Instituto Estadual de Florestas (IEF) reforçou o alerta sobre os riscos da domesticação de animais silvestres, especialmente do Jabuti-piranga, uma das espécies mais traficadas e comercializadas no Brasil. Apesar da aparência dócil, especialistas destacam que os jabutis exigem cuidados específicos, acompanhamento veterinário e podem representar impactos para a conservação ambiental, saúde pública e bem-estar animal.
De acordo com a diretora de Proteção à Fauna do IEF, Ariane Goulart, os Centros de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras) de Minas Gerais abrigam atualmente cerca de 300 jabutis resgatados de situações de tráfico, abandono, maus-tratos ou cativeiro irregular. Somente em Belo Horizonte, cerca de 100 animais estão sob cuidados, enquanto o Cetras de Divinópolis acolhe ao menos 135 jabutis.
Um estudo realizado no Cetras de Belo Horizonte, em parceria com a UFMG, revelou que 72% dos jabutis analisados apresentavam contaminação por bactérias do tipo estafilococos, sendo que mais da metade das amostras demonstrou resistência a antimicrobianos como penicilina e tetraciclina.
O instituto também alerta que os jabutis não são animais domesticados e podem viver mais de 80 anos, exigindo estrutura adequada, alimentação balanceada, exposição ao sol e ambiente controlado durante toda a vida. A criação legal da espécie só é permitida por meio de criadouros autorizados pelo Ibama e pelo IEF.
O alerta ganha ainda mais relevância após a celebração do Dia Mundial da Tartaruga, comemorado em 23 de maio. Segundo o IEF, a conscientização da população é essencial para combater o tráfico de fauna silvestre e evitar abandonos futuros.