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Itabira completa 178 anos nesta sexta-feira (9)

Cidade tem história marcada pelo ouro, pelo minério de ferro e pela poesia

Foto: Giovanna Victoria/ Ascom PMI

Nesta sexta-feira, 9 de outubro de 2026, Itabira comemora 178 anos desde que foi elevada à categoria de cidade. Localizado na região Central de Minas Gerais, o município construiu uma trajetória marcada pela exploração do ouro, pela força da mineração de ferro, pela preservação de seu patrimônio histórico e pela contribuição de um dos maiores nomes da literatura brasileira: o poeta Carlos Drummond de Andrade.

A data remete a 9 de outubro de 1848, quando a Lei Provincial nº 374 elevou a antiga Vila de Itabira do Mato Dentro à categoria de cidade. A história do povoamento, porém, é bem mais antiga e tem suas raízes no período colonial.

Das primeiras explorações de ouro à formação da cidade

A ocupação histórica da região está ligada à busca por ouro. Embora existam referências à presença de exploradores desde o início do século XVIII, a tradição local considera 1720 um marco importante, associado à chegada dos irmãos Francisco e Salvador Faria de Albernaz, que teriam encontrado ouro nos cursos d’água próximos à Serra do Cauê.

A descoberta atraiu outras famílias e contribuiu para o crescimento de pequenos núcleos de povoamento. A atividade mineradora ajudou a estabelecer as bases econômicas e sociais da localidade, que se desenvolveu ao longo das décadas seguintes.

Em 1827, foi criado o distrito de Itabira do Mato Dentro. Em 1833, a localidade foi elevada à condição de vila e teve sua Câmara Municipal instalada em 7 de outubro daquele ano. Quinze anos depois, veio o reconhecimento como cidade, marco celebrado oficialmente em 9 de outubro.

A mineração transformou a economia e a identidade de Itabira

Se o ouro marcou os primeiros séculos de ocupação, o minério de ferro passou a ocupar posição central na história econômica de Itabira. Em 1910, foi criada a Itabira Iron Company, em um período de crescente interesse pelas reservas minerais da região.

Um dos acontecimentos mais importantes ocorreu em 1942, quando foi fundada em Itabira a Companhia Vale do Rio Doce, atual Vale. A criação da empresa ampliou a importância do município na cadeia de produção e exportação de minério de ferro e contribuiu para profundas transformações econômicas, urbanas e sociais.

A mineração tornou-se uma das principais referências da identidade itabirana, mas também colocou em evidência os desafios de conciliar desenvolvimento econômico, preservação ambiental e diversificação das atividades produtivas.

Outro episódio curioso aconteceu durante a década de 1940. Em 1942, Itabira chegou a receber o nome de Presidente Vargas, em uma mudança administrativa realizada durante o governo de Getúlio Vargas. A denominação foi revertida em 1947, quando o município voltou a se chamar Itabira.

A terra de Carlos Drummond de Andrade

A história de Itabira não pode ser contada sem a literatura. Foi na cidade que nasceu, em 31 de outubro de 1902, Carlos Drummond de Andrade, poeta, cronista e escritor considerado um dos maiores nomes da literatura brasileira.

A paisagem, as lembranças da infância e as relações humanas vividas em sua terra natal influenciaram sua obra. Em poemas como Confidência do Itabirano, Drummond transformou as experiências pessoais e a relação com a cidade em reflexões sobre identidade, memória e pertencimento.

O legado do escritor permanece presente em espaços culturais e turísticos, como o Memorial Carlos Drummond de Andrade e o Museu de Território Caminhos Drummondianos, que reúne 44 placas com poemas distribuídas por diferentes pontos da cidade.

Além da memória do poeta, Itabira preserva construções dos séculos XVIII e XIX, igrejas, casarões e outros espaços que ajudam a compreender a formação histórica do município.
Patrimônio, cultura e belezas naturais
O patrimônio cultural de Itabira também está presente em seus distritos e comunidades rurais. Em Ipoema, o Museu do Tropeiro preserva objetos e registros ligados à história dos tropeiros, personagens importantes na circulação de mercadorias, pessoas e costumes pelo interior de Minas Gerais.

A cidade reúne ainda atrativos naturais, cachoeiras, trilhas e paisagens serranas que ampliam seu potencial turístico. O distrito de Ipoema e a região da Serra dos Alves estão entre os destinos procurados por quem busca contato com a natureza.

Entre os espaços de memória estão o Museu de Itabira, a Casa do Brás, a Fazenda do Pontal e o Centro Histórico, que ajudam a manter viva a ligação entre o passado e o presente.

178 anos de história e novos desafios

Ao completar 178 anos desde sua elevação à categoria de cidade, Itabira celebra uma trajetória construída por diferentes gerações. A antiga povoação ligada ao ouro tornou-se referência nacional na mineração de ferro e ganhou projeção internacional por meio da obra de Carlos Drummond de Andrade.

A data também convida à reflexão sobre o futuro do município. Preservar a memória, fortalecer a cultura, valorizar o turismo e ampliar as oportunidades econômicas são questões importantes para uma cidade cuja história foi profundamente influenciada pela exploração mineral.

Neste 9 de outubro, o aniversário de Itabira representa mais do que a lembrança de um marco administrativo: é uma oportunidade de reconhecer a contribuição de seus moradores, a riqueza de seu patrimônio e a identidade de uma cidade que une mineração, literatura e tradição mineira.

Parabéns, Itabira, pelos seus 178 anos de história!

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