A mineradora Vale avança em seu programa de mineração circular com a implantação de um novo projeto de reaproveitamento de rejeitos na mina de Gongo Soco, localizada em Barão de Cocais, na região Central de Minas Gerais. A iniciativa reforça o estado como um dos principais polos de produção de minério de ferro a partir de fontes circulares, trazendo ganhos em segurança, redução de impactos ambientais e geração de valor.
De acordo com a empresa, a produção circular mais que dobrou no último ano, atingindo 26,3 milhões de toneladas — crescimento de 107% em relação a 2024. Desse total, cerca de 80% foi produzido em Minas Gerais, consolidando o protagonismo do estado nesse modelo mais sustentável de mineração.
O projeto em Gongo Soco, que está com as atividades paralisadas desde 2016, prevê a instalação de uma usina para o processamento de rejeitos provenientes da descaracterização da barragem Sul Superior e de duas pilhas da unidade. A expectativa é que a planta tenha capacidade para produzir aproximadamente 2 milhões de toneladas de minério de ferro por ano.
Segundo a diretora de Minas Paralisadas do Corredor Sudeste da Vale, Juliana Cota, a iniciativa foi planejada para operar de forma sustentável e integrada às obras em andamento. “Optamos por uma solução de concentração magnética que maximiza a recuperação de minério contido no rejeito, alinhada ao cronograma de descaracterização da estrutura”, explicou.
A usina será instalada na área da antiga planta de Gongo Soco, concentrando toda a movimentação de materiais dentro da própria unidade. O escoamento da produção será feito por meio da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM). Conforme o engenheiro responsável pelo projeto, Luis Gustavo Silva, a proposta também inclui uma engenharia modular, que deve garantir uma obra mais rápida, econômica e com menor emissão de gases de efeito estufa.
A previsão é de que a construção da usina dure cerca de 19 meses, com início das operações estimado para o próximo ano, respeitando todas as normas de licenciamento ambiental e exigências regulatórias.
O empreendimento faz parte do programa “Waste to Value”, da Vale, que busca transformar rejeitos e estéreis em novos produtos, reduzindo a geração de resíduos e promovendo o uso mais eficiente dos recursos minerais.
Minas Gerais já se destaca nesse cenário, com iniciativas semelhantes em outras unidades, como as minas de Capanema e Vargem Grande, além da produção de coprodutos derivados de rejeitos, como areia sustentável e blocos de construção.
A meta da companhia é que, até 2030, cerca de 10% de sua produção anual de minério de ferro seja proveniente de fontes circulares, reforçando o compromisso com uma mineração mais responsável e alinhada às práticas de sustentabilidade.
