Chuva segue causando mortes e estragos em Minas

Vale e CSN interrompem temporariamente parte de suas operações

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As fortes chuvas que há semanas atingem Minas Gerais continuam afetando a população e causando prejuízos e transtornos de todo tipo. Casos de rios transbordando, alagamentos e inundações se espalham por várias regiões do estado, e os números de desabrigados e desalojados não param de aumentar.

Desde o início da estação chuvosa – que, este ano, começou em outubro, um mês antes que o habitual – ao menos nove pessoas já perderam suas vidas devido às chuvas e suas consequências. Neste número não estão incluídas as dez mortes causadas pelo desprendimento de um bloco de pedras no Lago de Furnas, em Capitólio (MG), no último sábado (8). As causas desta tragédia ainda estão sendo apuradas, mas autoridades estaduais já anteciparam que parte do paredão rochoso pode ter ruído por efeito da ação das águas.

Até a manhã de hoje (10), prefeituras de 145 das 853 cidades mineiras já tinham decretado situação de emergência. Na divisa entre Conceição do Pará e Pará de Minas, na região central do estado, moradores estão deixando residências em áreas sob risco de serem atingidas pelo potencial rompimento da barragem hidrelétrica da Usina do Carioca e eventual aumento do nível do Rio São João.

Devido à intensidade das chuvas, a mineradora Vale e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) paralisaram parte de suas operações no estado. Em nota, a Vale informou que interrompeu a circulação de trens na estrada de ferro que liga Vitória (ES) a Minas Gerais, o que afeta o escoamento de parte de sua produção. A medida, segundo a empresa, visa a garantir a segurança dos seus empregados e da população. Além disso, a mineradora garante estar monitorando suas barragens.

A decisão da CSN atinge tanto suas atividades em mineração, quanto siderúrgica. Em um comunicado ao mercado, as companhias CSN e CSN Mineração informam que suspenderam, temporariamente, as operações de extração e movimentação na mina Casa de Pedra, em Congonhas (MG) e a operação portuária de carregamento de minério no Terminal de Carvão (Tecar), no Porto de Itaguaí (RJ).

De acordo com a Defesa Civil estadual, em toda a região metropolitana de Belo Horizonte foram registrados, entre 20h da última sexta-feira (8) e as 7h de hoje, pelo menos 287 pedidos de socorro a pessoas ilhadas; 120 ocorrências de desabamentos, desmoronamentos ou algum colapso estrutural; 30 chamados relacionados a deslizamentos ou soterramentos e 38 pedidos de corte e retirada de árvores caídas em vias públicas ou sobre imóveis.

Ainda na capital, uma mulher de 42 anos de idade morreu soterrada neste domingo (9). A casa da vítima, cujo nome não foi divulgado, desabou e, quando os bombeiros chegaram, já encontraram a mulher sem vida. Além disso, parte da estrutura de um prédio do bairro Buritis desabou e os moradores só puderam retornar as suas casas depois que Defesa Civil descartou o risco do prévio ruir.

Também neste domingo, parte de um terreno (um talude) deslizou e atingiu residências do centro da cidade de Dores de Guanhães, a cerca de 100 quilômetros de Ipatinga. Os bombeiros socorreram quatro pessoas que foram levadas ao hospital municipal, onde uma das vítimas faleceu.

Na cidade de Rio Piracicaba, a cerca de 50 quilômetros de Itabira, na região central do estado, moradores ficaram ilhados depois que o rio de mesmo nome subiu. Já em Divinópolis, a cerca de 250 quilômetros de distância, ao menos 58 pessoas tiveram que deixar suas residências e se abrigar na casa de parentes, amigos ou hospedagens particulares.

No momento da publicação desta reportagem, bombeiros estavam tentando localizar duas supostas pessoas soterradas, uma em resgatar ao menos duas pessoas soterradas, uma em Brumadinho, outra em Ouro Preto, onde, no sábado (8), um deslizamento de terra atingiu uma casa, matando um homem de 55 anos, Geraldo Neves. Só em Ouro Preto, mais de 170 pessoas foram desalojadas, ao menos três casas foram destruídas e a prefeitura já decretou situação de emergência.

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