A renovação da concessão da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), operada pela VLI Logística, pode tirar do papel um projeto aguardado há anos em Minas Gerais: o Contorno Ferroviário Itabira–Vespasiano. A proposta foi aprovada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) em abril deste ano e segue agora para análise final do Tribunal de Contas da União (TCU). O contrato atual da concessão vence em agosto.
O processo de renovação prevê uma reconfiguração da malha ferroviária que conecta as regiões Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste, atravessando sete estados. Cerca de 3,1 mil quilômetros de trechos devem ser devolvidos à União, enquanto outros 4,1 mil quilômetros permanecerão sob concessão. Esse rearranjo abre espaço para novos investimentos, incluindo o contorno ferroviário.
Com extensão estimada em 90 quilômetros, ligando Itabira, Santa Luzia e Vespasiano, o novo traçado surge como alternativa ao antigo projeto da Serra do Tigre, considerado economicamente inviável. A proposta pode redefinir o fluxo ferroviário na Região Metropolitana de Belo Horizonte, retirando cargas pesadas do perímetro urbano e criando um corredor mais eficiente para o transporte de mercadorias.
Além disso, o projeto pode ajudar a aliviar a sobrecarga da BR-381, um dos principais gargalos logísticos do estado, cuja saturação impacta a mobilidade e a competitividade econômica da região.
Especialistas apontam que os benefícios vão além da infraestrutura. O vice-presidente no exercício da Presidência do Crea-MG, engenheiro civil Diego Oliveira Rosa, afirma que a iniciativa representa uma oportunidade estratégica para Minas Gerais. Segundo ele, o contorno pode melhorar a logística, reduzir impactos urbanos e impulsionar o desenvolvimento regional, com a engenharia desempenhando papel fundamental na busca por soluções sustentáveis.
O projeto também é visto como importante para o desenvolvimento do Médio Piracicaba. De acordo com o inspetor do Crea-MG em Bom Jesus do Amparo, engenheiro civil Magno Drumond, a nova ferrovia pode reduzir custos logísticos em setores como mineração, siderurgia e agronegócio, além de viabilizar iniciativas como a implantação de um porto seco em Itabira.
Apesar do potencial, a execução da obra ainda não está garantida. O contorno foi incluído como investimento adicional no relatório da ANTT, o que significa que depende de estudos técnicos que comprovem sua viabilidade, além de articulação institucional e definição de prioridades.
Nesse contexto, entidades técnicas e lideranças regionais devem desempenhar papel decisivo. O Crea-MG acompanha o processo e pode contribuir com suporte técnico e participação em debates públicos, reforçando a relevância do projeto para o desenvolvimento de Minas Gerais.
**Com informações do CREA Minas Gerais
