A Polícia Federal (PF) indiciou nesta quinta-feira (6) 16 pessoas por envolvimento na queda de um avião da Voepass em Vinhedo (SP), em agosto de 2024. O acidente deixou 62 mortos e não teve sobreviventes.
Entre os indiciados está o diretor-presidente da companhia, José Luiz Felício Filho. Segundo a PF, 15 pessoas foram indiciadas por atentado contra a segurança do transporte aéreo e uma por falsidade ideológica.
A investigação apontou que a aeronave, um ATR 72-500, apresentava problemas em equipamentos considerados importantes para enfrentar as condições meteorológicas daquele voo, incluindo o sistema de degelo e o limpador do para-brisa. Mesmo assim, a decolagem teria sido autorizada.
A PF também afirma que a aeronave já havia apresentado problemas semelhantes em voos anteriores e que pilotos teriam sido orientados pela empresa a não registrar determinadas falhas nos relatórios pós-voo, para evitar que o avião fosse impedido de continuar operando.
Durante o voo que terminou no acidente, os pilotos receberam alertas sobre a deterioração das condições de segurança, mas, segundo a investigação, não tomaram medidas diante dos avisos.
A Justiça Federal determinou que os indiciados não deixem o país ou retornem ao Brasil caso estejam no exterior. O Ministério Público Federal agora analisará o inquérito e decidirá se apresentará denúncia contra os investigados.
A PF também pediu autorização para compartilhar as informações da investigação com a Anac, para que sejam apuradas possíveis falhas na fiscalização da companhia.
Familiares das vítimas acompanharam o anúncio dos indiciamentos e afirmaram que pretendem buscar responsabilização da empresa. Os advogados da associação que representa as famílias avaliam ingressar com uma ação coletiva por danos morais contra a Voepass.
