Pix por aproximação agora permite pagamentos acima de R$ 500

Nova regra do Banco Central entra em vigor nesta quinta-feira (1º) e transfere para os bancos a definição dos limites de cada cliente

Quem costuma pagar compras pelo celular usando Pix por aproximação passa a contar com mais flexibilidade a partir desta quinta-feira (1º). O Banco Central retirou o limite específico de R$ 500 por transação que era aplicado à modalidade.

A mudança não significa, porém, que qualquer pagamento de valor elevado será automaticamente autorizado. O limite passa a seguir as configurações de segurança e os valores definidos pela instituição financeira para cada cliente.

A alteração foi estabelecida pela Instrução Normativa BCB nº 746, publicada em junho deste ano. A norma modifica as regras que tratam dos limites para transações iniciadas por aproximação e também alcança outras formas de iniciação de pagamentos previstas na regulamentação do Pix.

O que muda para o consumidor

Até agora, mesmo que o cliente tivesse um limite de Pix mais alto, havia uma barreira específica para pagamentos realizados por aproximação: cada operação estava limitada a R$ 500.

Com a nova regra, essa trava deixa de existir.

Na prática, um consumidor poderá realizar uma compra de R$ 600, R$ 1 mil ou outro valor superior, desde que o limite disponibilizado para sua conta permita a operação e os mecanismos de autenticação e segurança sejam atendidos.

Não existe, portanto, um novo valor máximo único estabelecido pelo Banco Central para substituir os R$ 500.

O cliente poderá controlar o limite

A retirada do teto não elimina o gerenciamento de segurança.

As instituições que oferecem a modalidade devem disponibilizar mecanismos para que o cliente possa solicitar alterações nos limites, inclusive para reduzir os valores autorizados.

O procedimento será realizado pelos canais disponibilizados pelo próprio banco, principalmente pelo aplicativo.

Dependendo da instituição, o caminho para encontrar essa configuração pode ser diferente. Em geral, o usuário deverá procurar pelas opções relacionadas a Pix, limites ou pagamentos por aproximação.

Tecnologia permite pagar sem abrir o aplicativo

O Pix por aproximação utiliza a tecnologia NFC (Near Field Communication), que permite a comunicação entre dispositivos próximos.

Na prática, o celular é aproximado do equipamento utilizado pelo estabelecimento para iniciar a operação. O consumidor confere os dados apresentados e realiza a autenticação exigida.

O recurso pode funcionar por meio de uma carteira digital compatível ou diretamente pelo aplicativo de uma instituição financeira que ofereça a funcionalidade. O Banco Central explica que, quando uma carteira digital é utilizada, há integração entre a carteira e a instituição financeira por meio das APIs do Open Finance.

Como fazer um pagamento

Depois de configurar o serviço, o processo tende a ser semelhante ao uso de outros meios de pagamento por aproximação.

Confira o passo a passo:

  1. Informe ao estabelecimento que pretende pagar utilizando Pix.
  2. Confira o valor da compra e os dados exibidos.
  3. Aproxime o celular da máquina compatível.
  4. Faça a autenticação solicitada.
  5. Confirme a operação.

Os procedimentos podem variar de acordo com o banco, a carteira digital e o aparelho utilizado.

Mudança exige atenção contra golpes

Com a possibilidade de pagamentos acima de R$ 500, conferir as informações antes da confirmação se torna ainda mais importante.

O usuário deve verificar cuidadosamente o valor da compra e os dados apresentados na tela antes de concluir a operação.

Também é recomendável manter o bloqueio de tela e os mecanismos de autenticação do celular ativados, evitar entregar o aparelho desbloqueado a outras pessoas e acompanhar as notificações das movimentações realizadas.

Outra medida simples é revisar periodicamente os limites definidos no aplicativo do banco. Quem não pretende utilizar valores elevados por aproximação pode optar por manter um limite mais baixo.

Pix segue em expansão no país

A mudança ocorre em um momento em que o Pix já ocupa posição central nos pagamentos digitais brasileiros.

Dados do Banco Central mostram que o sistema continua registrando centenas de milhões de operações, com estatísticas atualizadas mensalmente. Em 1º de setembro de 2026, por exemplo, foram registradas mais de 266 milhões de transações Pix liquidadas no Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI).

O próprio Banco Central aponta que o Pix acumulou quase 80 bilhões de transações em 2025, movimentando mais de R$ 35 trilhões ao longo daquele ano.

O Pix por aproximação é uma das funcionalidades desenvolvidas para ampliar as possibilidades de utilização do sistema, aproximando a experiência de pagamento do uso tradicional de cartões por aproximação.

O que permanece igual

A retirada do limite específico de R$ 500 não elimina as regras de segurança do Pix.

As instituições financeiras continuam responsáveis pelos mecanismos de proteção aplicáveis às transações, e o cliente permanece sujeito aos limites definidos para sua conta.

Assim, o fim do teto fixo não significa que o consumidor terá liberdade irrestrita para realizar qualquer pagamento: o valor efetivamente autorizado continuará dependendo das configurações da conta e dos controles de segurança da instituição financeira.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *