A possível redução de profissionais no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) de Belo Horizonte tem gerado preocupação entre trabalhadores da saúde e especialistas da área. A medida, que ainda está em discussão, pode afetar diretamente a segurança da população e das equipes que atuam no atendimento de urgência e emergência na capital mineira.
Atualmente, o serviço enfrenta a possibilidade de não renovação de 34 contratos de profissionais. Esse número se soma a um déficit pré-existente de 21 trabalhadores, além de afastamentos por motivos de saúde e licenças legais. Na prática, o cenário já configura uma redução significativa no quadro funcional, impactando a capacidade operacional do atendimento.
Outro ponto crítico em debate é a reestruturação das equipes das Unidades de Suporte Básico (USB). A proposta prevê a retirada de um dos técnicos de enfermagem das ambulâncias. Caso implementada, as equipes — que hoje operam com dois técnicos de enfermagem e um condutor — passariam a contar com apenas um técnico e um condutor socorrista.
A justificativa apresentada para a mudança se baseia na Portaria nº 2048/2002, que estabelece parâmetros mínimos para a composição das equipes. No entanto, profissionais da área ressaltam que a norma define apenas o mínimo necessário, não representando, necessariamente, o modelo mais adequado ou seguro para todas as realidades.
Especialistas destacam que a configuração proposta desconsidera características específicas de Belo Horizonte. A cidade possui geografia complexa, com morros, escadarias, vielas e áreas de difícil acesso, o que exige maior esforço físico das equipes durante os atendimentos. Além disso, há alta demanda por remoções de pacientes acamados, idosos e pessoas com obesidade, situações que frequentemente requerem mais de um profissional para garantir segurança e agilidade.
Na avaliação de trabalhadores do setor, a redução das equipes pode trazer consequências diretas para a população. Entre os principais riscos apontados estão o aumento no tempo de resposta, dificuldades na realização de procedimentos e maior exposição a riscos durante o transporte de pacientes.
Outro ponto de atenção é a sobrecarga física e emocional das equipes, que passam a atuar com número reduzido de profissionais. Esse cenário amplia o risco de lesões ocupacionais, afastamentos por problemas de saúde e esgotamento profissional, o que pode agravar ainda mais o déficit existente e comprometer a capacidade de resposta do serviço.
A tentativa de redução de custos por meio da diminuição das equipes também é alvo de críticas. Profissionais alertam que a medida pode gerar um efeito contrário ao esperado: com menos trabalhadores, o serviço tende a se tornar mais lento, mais sobrecarregado e menos seguro, impactando toda a rede de urgência e emergência e, principalmente, a assistência prestada à população.
Em ocorrências que exigem rapidez e precisão, como casos graves ou de risco iminente à vida, qualquer atraso pode influenciar negativamente o desfecho clínico do paciente. Para os profissionais, a sobrecarga crescente também eleva o risco de acidentes de trabalho e desgaste físico.
Diante desse cenário, representantes da categoria defendem a revisão da proposta e a ampliação do diálogo com gestores públicos. A avaliação é de que decisões sobre a estrutura do SAMU devem considerar não apenas aspectos administrativos, mas sobretudo critérios técnicos, assistenciais e de segurança, garantindo que o serviço continue cumprindo seu papel essencial na proteção da vida e no atendimento rápido e eficaz às emergências da cidade.
