O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), acusou o colega Alexandre de Moraes de ter cometido possíveis ilegalidades ao requisitar relatórios de inteligência da Polícia Federal (PF) utilizados para questionar sua atuação no caso envolvendo o Banco Master.
Em manifestação enviada nesta terça-feira (22) ao presidente do STF, Edson Fachin, Mendonça afirmou que Moraes teria solicitado os documentos de ofício e utilizado relatórios sem autoria, assinatura ou data para sustentar acusações contra sua atuação. Segundo o ministro, os documentos também continham ressalvas sobre seu valor probatório.
Mendonça contestou ainda a inclusão de seu nome no Inquérito das Fake News e afirmou que Moraes teria ultrapassado sua competência ao determinar medidas de investigação contra outro integrante do Supremo. Ele pediu o arquivamento do procedimento e a apuração de possíveis irregularidades na atuação de Moraes.
A disputa entre os ministros está relacionada à Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes financeiras e corrupção envolvendo o antigo Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A crise se intensificou após Mendonça retirar o sigilo de documentos que continham mensagens atribuídas a Vorcaro e dirigidas a Moraes. Entre elas, há referência a um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
Moraes, por sua vez, afirma que a investigação conduzida por Mendonça foi ilegal e encaminhou os relatórios da PF a Fachin. A Polícia Federal sustenta que os documentos foram produzidos no cumprimento de determinação judicial.
As acusações de ambos os ministros ainda estão em análise e não representam, até o momento, uma conclusão definitiva do STF sobre a existência das irregularidades apontadas.
