A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu o inquérito que apura um caso de registro não autorizado de intimidade sexual em uma clínica de Itabira. A investigação foi conduzida pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) e trata de um crime previsto no artigo 216-B do Código Penal.
O caso teve início no dia 27 de novembro de 2025, quando uma mulher de 28 anos, durante a realização de um exame radiológico admissional, percebeu um aparelho celular escondido no bolso de um jaleco. O dispositivo estava posicionado de forma estratégica para registrar imagens da paciente nua. O celular pertencia ao técnico responsável pelo atendimento.
Durante a apuração, foram reunidos depoimentos da vítima, testemunhas e um laudo pericial considerado robusto. A perícia digital identificou arquivos audiovisuais no aparelho apreendido, incluindo registros do momento em que o investigado, de 46 anos, preparava o equipamento para realizar a filmagem antes da entrada da paciente na sala.
Os trabalhos periciais também apontaram que a prática era recorrente. Segundo a investigação, havia diversos vídeos armazenados no dispositivo, indicando que pelo menos cinco mulheres podem ter sido vítimas da conduta.
Em interrogatório, o suspeito admitiu os fatos, alegando que agia por motivos de segurança pessoal. A justificativa, no entanto, não afasta a caracterização do crime.
O delegado responsável pelo caso, João Martins Teixeira Barbosa, destacou a gravidade da situação, especialmente pela quebra de confiança na relação entre profissional de saúde e paciente.
“A conduta apurada revela um profundo desrespeito à autodeterminação da imagem e à inviolabilidade da intimidade feminina. A análise técnica e os depoimentos colhidos ratificam o registro não autorizado da intimidade da vítima em contexto de atendimento profissional”, afirmou.
O investigado foi formalmente indiciado, e o inquérito foi encaminhado ao Ministério Público, que irá analisar o caso e decidir sobre o oferecimento de denúncia à Justiça.
